Urbanzo

by Zamboque

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Por Rennó Silva:
Ainda perdido em mim, é difícil tecer algo sobre a obra sem falar do quanto o Lúcio está nela. A dualidade entre o simples e o detalhismo, ou da torrente caótica que aflora e afoga o sentimental é uma representação pura e sincera do que temos como o homem metamoderno que ele é. Exatamente como a gente se sente ao sair da tormenta que é o ontem e deságua no que são os sons que a noite nos reserva hoje. Nesse EP, há uma angústia em algum lugar onde não sabemos encontrar. Afinal, já é noite e a lâmpada incandescente do poste clareia muito mal.

Por Davi Amaral:
Existe uma presença muito forte da crise existencial. Coloca toda nossa tecnologia e confrontamento a ironia compositiva que oscila entre a metafisica estrutural mas lembra do encaixe existencial que sempre falta em nós. Há um salto do cessar a si mesmo dentro do cambalear do sono e o romance universal do sonho, o surrealismo abstrato. O vazio de fato se dá na pergunta "o que somos entre o sono, a morte que finda no vazio absoluto e o café, a televisão e a musica já transmorfoseada numa ritualizacão da crise?". A grande questão fragmentada é apresentada sobre uma hipnose mantida pela ritmação entre grave e alargamentos que desaparecem e reaparecem com grande força conceitual. A perturbação que em um estágio esconde por completo os valores metafísicos os transformando em meros glitchs virtuais, fictícios e ilusórios. A poesia não só se apresenta enquanto crise, mas enquanto invasão de todos nossos espaços imagéticos. As violas de rua se tornam sujeira do real, se tornam o grito da rua que nos perturba tanto. A chuva que cai escorre por nosso corpo, e se de alguma forma disseram que o humano precisa de muita água é nesse instante que isso se prova um erro.
A diluição das vias precedem uma noite não dormida mas no entanto completamente sonhada. O sonho da memória fetal, a realidade paradoxal e o estado hipnótico se unem para servir de cenário de nós mesmos. A nudez se dá na medida que nos deixamos agir na contingência desse estado. Disso surge o ápice de nós mesmos, a criação. Se há algum fundo do poço ao se alcançar, é chegado na dualidade melancólica da fuga e do despertar. A realidade paralela se instaura com nossa criação e tudo aquilo se revela o palco do surto humano. É antes de tudo uma revisitação impossível. "Minha pátria é minha infância, por isso vivo sempre no exílio". Se trata do estado de gênese. O que surgiu como antagonista ao fim se revela enquanto a particularidade do fator que proporcionou a queda no começo da experiência. Entre confrontar essa realidade erínia preparada pra nos punir pelo excesso e a falta dele e a vontade de ir. O sal é em si o grande enunciador conclusivo. Reapresenta o mar agora como um deserto e nos mantém como loucos que dançam à tempestade de areia esperando a navegação dos prazeres.

Agradecimentos de Lúcio Alves:
As duas vozes que descrevem o meu desafino são as de Rennó Silva e Davi Amaral. Sou muito grato por ser amigo de vocês e ter-los em meu EP. Que as conversas longas sobre coisas que sabemos "que serão esquecidas amanhã, mas que vão existir pra sempre." continuem a destoar nossas vidas.
A cada dia que passa a gente fica mais estranho. Ainda bem.
Queria, também, agradecer à Mariana Lacerda que tirou a foto que está na capa deste EP. Só alguém que tenho tamanha intimidade poderia captar e retratar tão bem os meus barulhos mais latentes. Tenho muitos sentimentos por ti.

credits

released September 21, 2016

Composição, gravação, mixagem, masterização: Lúcio Alves
(Participação especial de Sakul, vizinho de Lúcio, no solo de teclado final na música 'Barulhos da Noite')
Lançado e distribuído pelo selo independente Banana Records em 21 de setembro de 2016.

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